JAIME PRADES
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WAGNER BARJA 1994
Artista, curador e atual diretor do Museu da República de Brasilia.


Texto para a exposição "Verticais"

O BOM SELVAGEM

O fenômeno da arte selvagem que se manifesta através do grafite e que já se impõe como expressão inconformista do final do século, gerou vários grupos nos grandes centros urbanos. Em São Paulo o Tupinãodá atuou como um dos mais expressivos desse segmento.
Oriundo desse grupo, Jaime Prades trilhou um caminho asfáltico. Sem deixar de lado a arte bruta das ruas, aquela que se realiza clandestina. Jaime galgou o território das galerias não abandonando o espírito de “Bom selvagem".
Utilizando-se de conceitos matéricos transporta símbolos, arquétipos urbanos, transversais, indicadores de vários caminhos.
O artista e poeta de rua sabe disso muito bem, ele transmutou-se e é hoje um rebelde didata, deixa de ser o simples registrador de imagens para construir fora do texto a sua própria linguagem não abandonando a sua preocupação inicial: as grandes cidades e suas encruzilhadas do tempo.
Nessa proposta Prades cria um sítio arqueológico contemporâneo, utilizando-se dos materiais não sacralizados no circuito da arte tradicional; fragmenta virtualmente a realidade das ruas, abstraindo e radicalizando sua proposta de focar os signos das cidades grandes.
As argamassas, o asfalto e as ferragens contidas em embalagens para consumo do olho e de outras sensações, deixam de ser puramente os suportes de suas propostas iniciais onde Jaime se incluía como mais um grafiteiro dos grandes centros.
Hoje o artista utiliza seus anteriores suportes como registros tridimensionais de uma iconografia de rua que transpira um conceito de urbanidade, assim como fósseis de um futuro próximo.
Considero Jaime Prades um Xamã, tipo aqueles que ficavam gravando nas paredes das cavernas mal iluminadas, enquanto os selvagens saiam para a grande caçada.

Wagner Barja