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A SAÍDA É PELA ARTE 2007
Desde 2007, esta obra concebida e conduzida por Claudio rocha, ficou escondida numa gaveta. A partir de 03/01/2018, pode ser consultada on-line. LINK em A SAÍDA É PELA ARTE no fim da matéria.


Livro inédito, publicado exclusivamente em formato digital, 28 x 21 cm, 124 páginas, edição bilíngüe português/inglês.

A SAÍDA É PELA ARTE

FRASES ESCRITAS, ILUSTRADAS E FOTOGRAFADAS NA PERIFERIA SUL DE SÃO PAULO POR:

BETE NOBREGA, CACAU, CARLOS MATUCK, CELSO GITAHY, CLAUDIO GIL, CLAUDIO ROCHA, CHAMBS, DANIEL MELIM, FLAVIO SAMELO, HARLEY, JAIME PRADES, JULIO BARRETO, JULIO DOJCSAR, LUIZ GÊ, MARIZA DIAS COSTA, ONESTO, ORLANDO PEDROSO, OZI, PRETO, RICARDINHO, RUBENS MATUCK, RUI AMARAL, TIDE HELLMEISTER, TOM B, TONY DE MARCO E WAGNER LUCAS.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL (HISTÓRIA EM QUADRINHOS): LÍBERO MALAVÓGLIA.

SÃO PAULO, 2007


POIS É, TEM SAÍDA E É PELA ARTE, DISSE O PROFESSOR!

Entre 2005 e 2007, o "professor" - como é conhecido nos bairros do Campo Limpo e do Capão Redondo -
Claudio Rocha, designer gráfico, tipógrafo e artista visual, editor da lendária Tupigrafia entre outras façanhas, fez acontecer o seu projeto "A saída é pela arte".

Ao perceber a qualidade do design tipográfico das letras criadas pelos jovens pichadores da Zona Sul de São Paulo, foi procura-los para conhecê-los e entender o contexto sociocultural da realidade desses jovens duplamente marginalizados.

Marginalizados pelo desprezo da sociedade brasileira com a sua genética escravocrata e odiados pelos seus pichos, violências gráficas, que rasgam o corpo da cidade impondo as suas existências sem a mínima concessão ao bom senso daqueles que gostariam que eles não existissem ou ficassem reclusos lá na "senzala". Picho, logo existo!

Assim é o Brasil, um país símbolo da abundância e da extrema carência. Uma sociedade desenhada pelo egoísmo sem limites de uma elite sem coração. Esse desprezo, essa desigualdade e indiferença, essa sim a pior de todas as violências, que condena gerações de crianças e jovens à assistirem dos seus barracos ao show de uma sociedade de consumo e privilégios que os ignora e perturba.

O Claudio fez o movimento contrário: foi lá atrás da rapaziada e a partir do encontro com alguns pichadores do Campo Limpo e do Capão Redondo, pela amizade e pelo respeito, teceu uma relação humanizada, levando em suas visitas, além do lanche para alimentar o corpo, alimentos para o conhecimento e o espírito desses jovens corajosos, capazes de escalar prédios enormes subindo agarrados nas calhas externas, na cara e coragem.

Toda essa energia, força, inteligência, estratégia, capacidade e coragem, desperdiçadas pela desqualificação proposta pela sociedade aos pobres, encontraram seu objetivo e foram catalizadas no picho.

Penso que se alguns deles tivessem nascido na Suíça, talvez poderiam ter se tornado grandes alpinistas. Enquanto que aqui, esse "alpinismo social" literal de ascender escalando prédios, num desafio de vida e morte, é, na minha opinião, um processo de superação...

Mas, vamos ao que interessa! Essa joia criada pelo encontro de artistas e escaladores no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, Brasil!

Claudio Rocha, mentor e articulador, guiou com a sua batuta afinada o encontro de muitos artistas entre ilustradores, desenhistas de HQ, plásticos, gráficos, grafiteiros, com a rapaziada da perifa. Desses encontros poético/gráficos surgiram imagens de uma contundência incomum. Imagens que evidenciam que apesar da carência de recursos, no máximo do mínimo, existe nessa precariedade, a presença de Harmonia, fundamento de toda Beleza. Prova de que as Musas não escolhem pelas aparências do mundo, elas brotam dos corações puros... Se toca fundo porque tem Verdade é Arte! Isso que interessa, Axé, Amén, Saravá, Shalon, Om...

Pessoalmente, passei 11 anos inconformado com o fato do livro ter "miado" no último segundo da prorrogação do segundo tempo. Estava na entrada do forno, na porta da gráfica, na linha do gol!... Coisas que acontecem.

Tentando de alguma forma trazer esse material à luz - para mim uma maravilha editorial pela sua delicadeza e humanidade - além de mostrar o caminho do encontro necessário entre dois Brasis, estamos publicando a sua versão digital.

Jaime Prades 04/01/2018 São Paulo

A SAÍDA É PELA ARTE