JAIME PRADES
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Coletiva na galeria andrea rehder arte contemporânea a partir de 2 de abril.






HOJE, POR QUÊ?

Ao dizermos “pintura” estamos assinalando obras de arte que se relacionam com a história dessa prática, seus materiais e convenções. Sendo assim, apenas o sentido do olhar não nos permite compreender a pintura, pois é na complexidade sensível e intelectual que estabelece (e que estabelecemos com ela) que se dá nossa experiência.
Como argumenta minha colega de ofício, a crítica e professora estadunidense Suzanne Hudson, a pintura contemporânea só pode ser vista em relação com outras mídias e áreas artísticas. Para além disso, há obviamente seu convívio com as circunstâncias. Assim, torna-se evidente porque não houve, nem vai haver, o fim da pintura – porque ela nunca se torna anacrônica, mesmo que diante de uma vida digital.
É perceptível como na contemporaneidade o interesse pela pintura se renova, reconfigura e transforma justamente porque sua matéria carrega consigo significados, valores, ideias. Hudson usa as palavras “recursiva” e “generativa” para descrever a pintura no século XXI. Ambas as noções dizem respeito à renovação pela repetição – pensemos nos instrumentos (inclusive nos corpos que pintam), no plano, na cor.
É nessa chave que a pintura em fluxo deste grupo se apresenta agora. Uma reunião que resultou, como em tantos outros trágicos momentos históricos, da busca pela coletividade como abrigo para a imaginação.
No entanto, é impossível não endereçar o traço de gênero na atual configuração do sistema artístico. Sabemos dos traços masculinos que descreveram e orientaram as narrativas modernistas consagradas (um modernismo dito ocidental; outras tradições vêem e viram de outras maneiras). Foram eles adjetivados com noções de combate e agressividade, razão versus intuição, público versus doméstico. Opuseram, desse modo, dois grandes grupos: feminino de um lado, masculino de outro, fazendo com que enorme parte da produção artística ficasse incompreendida.
A pintura teve destaque nessa narrativa, como uma protagonista entre os meios. Então, associou-se a pintura ao gesto criador vigoroso, e mesmo, violento. Desde então, esse arranjo já foi problematizado, criticado, desfeito, tornou-se finalmente clichê e chacota. Acabou. Talvez, por isso, certa pintura tenha parecido agonizar, mas apenas porque outras estavam surgindo.
As pinturas que ora presenciamos estão nesse registro excêntrico. Juntas criam essa instalação de coisas entrelaçadas que servem de analogia à própria dinâmica do grupo – falar, ouvir, argumentar, respeitar, sensibilizar, estimar, sobretudo, encontrar. (Esta é uma apresentação introdutória. Outras análises seguirão a curadoria em processo que se estabeleceu com o grupo e deve acompanhá-lo durante o período expositivo).
ANA AVELAR
Ana Avelar é Chefe do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB). Possui pós-doc pelo MAC/USP e doutorado pela ECA/USP. NA UnB, desenvolveu projetos curatoriais para a Casa Niemeyer entre 2017 e 2021. Ministra cursos nas áreas de crítica e curadoria, com especialização em arte brasileira. Em 2019, foi pesquisadora no Getty Research Institute pelo programa Intercâmbio de Curadores. Participa de júris de prêmios para as artes, como o Marcantonio Vilaça – do qual foi finalista em 2017 –, Pipa e Rumos Itaú Cultural, além do Jabuti.

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A criação artística se alimenta de encontros, de diálogos reais ou imaginários, diálogos ininterruptos que cruzam temática e cronologias, que visitam mestres antigos, modernos e contemporâneos.
Não há passado e nem futuro na arte, porque se uma obra de arte não pode viver para sempre no presente, ela é inútil.
A arte dos gregos, a arte dos egípcios, as grandes pinturas e as grandes esculturas, não tiveram significado somente em outras épocas, não são artes do passado, elas podem ser mais vivas hoje do que nunca. É isso o que essa exposição celebra, o encontro de diferentes sensibilidades artísticas com trajetórias muito diferentes mas que têm em comum um mesmo pacto em relação a valores como autenticidade, singularidade, honestidade intelectual.
Esses artistas, desta exposição, já têm uma trajetória que desperta um interesse por seus trabalhos. Mas quando nós fazemos uma leitura cruzada de suas obras, colocando lado a lado projetos poéticos visuais distintos, temos a oportunidade de celebrar a multiplicidade de visões artísticas, que enriquecem o meio cultural de nossa época.
Todos esses artistas têm um pacto com a excelência, com o bem fazer, com uma consistência de pesquisa visual. Não importa o caminho experimentado, seja ele geométrico ou gestual, figurativo ou abstrato, etc. O que fica evidente é a coerência de cada artista.
Nessa exposição todos eles apresentam pinturas que mostram as infinitas potencialidades que essa linguagem é capaz: a pintura nos faz ver o que está ausente; a pintura nos faz enxergar através de enganos, construindo uma realidade no território dos encantamentos. Fazer essas mágicas é o cotidiano de cada um desses artistas.
SERGIO FINGERMANN
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P I N T U R A Tempo é arte! Tempo da pintura. Tempo dilatado, expandido, desacelerado. Tempo para respirar, olhar sem ansiedade, sem pressa, sem ruídos. Pintura silenciosa que convida a ser atravessada como um portal para outra dimensão de realidade. Pintura que existe pela sua própria natureza. Que obedece às poéticas das luzes e das sombras, das camadas, dos brilhos intensos ou dos rebocos foscos e surdos. Universo das cores, dos tons, das harmonias, dos vazios e dos excessos. Das linhas e estruturas invisíveis onde a virilidade do desenho, seduzida pelos véus e transparências da pintura, se esconde. Das plasticidades da matéria. Diálogos infinitos sempre no presente. O espírito latente sobrevive e se revela aos olhares atentos daqueles que estão famintos de poesia. A arte qualifica a vida! Conquista tempo e espaço de uma realidade ilusória dominada por sofrimento e morte. Cumpre o seu papel de nos transportar a única realidade possível através do resgate do próprio ser.
Nossa exposição coletiva é uma declaração de amor à pintura de artistas que dedicam as suas vidas à arte e conseguiram, apesar de tudo e de todos, criarem as suas trajetórias.
PINTURA celebra a amizade e o encontro como ato político de resistência e promoção de humanidade diante da barbárie desses tempos devoradores.
O artista organiza o caos, traz harmonia para o mundo e como os pajés Yanomami impede a queda do céu. A arte pacifica, a arte cria humanidade, a arte é!
JAIME PRADES
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A construção de uma pintura já indica que ela não dependia de apenas um gesto mas vários gestos para que ela pudesse ser construída. Através da pintura, tenho percebido que tanto meu mundo quanto o mundo exterior, tratam-se de uma coisa fragmentada. O tempo dos heróis e manuscritos ideológicos têm sido questionado bastante desde o movimento pós-modernista. As nossas incertezas de hoje em dia podem finalmente retratar a frase genial de Paul Cézanne quando ele declarou que ele pintava com dúvida. Faz todo sentido pintar com essa mesma dúvida no mundo que oferece menos respostas e mais perguntas.
Fico bastante animado em me juntar com um grupo de artistas que tem uma proposta paralela de construir suas composições. Identifiquei-me muito com a ideia de ver as formas na superfície de cada tela que sugerem uma leitura "cruzada". Acredito que essa leitura faz com que o espectador tenha como dialogar com a obra e criar uma nova perspectiva sobre ela.
Acredito que pintar é criar uma narrativa através de camadas e texturas. Vejo o ato de pintar como contar uma história na superfície de uma tela. Gosto da ideia de que uma pintura pode ser feita de pequenos detalhes. Faço minhas telas com recortes de tecidos quadrados para criar uma textura na superfície. Não sou um artista figurativo mas gosto de criar um diálogo tátil para que o espectador se relacione com a pintura de uma maneira física. A camada de tinta piche serve para destacar a textura sem criar nenhum reflexo. Ela serve também para absorver e fixar o olhar do espectador para que ele se relacione com a sua própria presença física e espiritual.
JAMES CONCAGH
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Quando um grupo de artistas se reúne. Um artista nunca está sozinho.
Engana-se quem diz que o ofício da arte é isolado, a produção da obra talvez,
Por exemplo, em meio à Primeira Guerra Mundial, em 1916, um grupo de escritores, poetas e artistas plásticos se reuniam no Cabaret Voltaire em Zurique, Suíça, para discutir interesses artísticos e políticos, o que ocasionou no surgimento do Dada.
Acredito muito na dependência das relações e das trocas e “Fosco” é um adjetivo, e o seu paradeiro, a sua base é o QUADRO - do Latim quadrum, “o que tem quatro lados”, de quattuor, “quatro”, se um quadrado tem quatro lados congruentes ,dependentes, estamos diante portanto de muitas metáforas para explicar essa mutualidade... parede, prego, pincel, tinta, conversa, conselho...
Pintura é o que se faz, mas deriva de muitas conversas e cumplicidade que temos a oportunidade de revelar nessa exposição. Muitas conversas e muitas trocas são o norte dessa ação, me sinto muito privilegiado de poder colocar meu quadro no quadro desses companheiros de viagem.
“Se não fosse o Van Gogh, o que seria do amarelo?”
REYNALDO CANDIA
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Sobre PINTURA
Eu acho a pintura uma coisa difícil. É como um idioma que demoro uma vida para aprender, sem que venha a dominá-lo. Perco-me em fonemas até alcançar uma palavra. Tem a ver com a necessidade de uma fluência e a demanda por um gesto silencioso e consequente. A pintura advém do afinco e dá-se numa suposta solidão de ateliê, embora poucos mundos sejam tão amplamente habitados, de tal forma que nela nunca estou só. Ela não grita e não faz alarde, apenas fica. Sou eu que, às vezes, grito em frente ao que ela me traz. Eventualmente minha pintura acontece de existir e, às vezes, sou salvo por pinturas de outras pessoas. O encontro com tais trabalhos pode confirmar decisões e apontar alguma direção a partir da eloquência alheia. É muito importante encontrar interlocuções, exatamente para viver o confronto que, por sua vez, só é possível na amizade.
RALPH GEHRE
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O assunto é sempre a Pintura ....
O Atelier espaço de trabalho solitario desde sempre , proporciona um giro pelas linguagens...a pintura , a colagem , a monotipia , entre outras
Possibilidades adversas do "FAZER ARTE" que se encontram no dia a dia do artista.
A Pintura , que com a folha de jornal , aparece pela monotipia , e que na frente vira colagem , e mais na frente vira pintura outra vez ...num jogo de acertos e erros infindaveis.
Arranjos Geometricos , Arumação , desordem , espaços Cheios , espaços vazios , Leves , Pesados ...uma tentativa constante de querer organizar e estabelecer relações entre Formas , Cores e Signos.
Um Jogo Aberto de construção , de possibilidades diversas , onde a Pintura é o assunto , a estética, a ética e o humanismo mineiro , singelo e grandioso, traduzidos em combinações de formas sem formas e cores !!!
CELSO ORSINI