JAIME PRADES
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LUCAS CARVALHO
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O QUE SEI DE PRADES
SELECT E ISTOÉ 2013
LUCAS CARVALHO
Sobre a tela "Negra 2" na mostra "Triangular" na Casa Niemeyer, Brasília. Acervo UNB. Julho de 2020.

Pode parecer loucura, mas por muito tempo o preto não foi considerado uma cor. Desde a descoberta do espectro da luz por Isaac Newton, preto e o branco, foram relegados ao status de ‘não-cores’. Isso durou até meados de 1910, quando os artistas começaram a incorporá-lo nas pinturas com o mesmo valor das demais cores, como o emblemático ‘Quadrado Preto’ de Malevich. Antes disso, Manet já desconcertava os espectadores com seus pretos massivos em meio à suas telas realistas/impressionistas. A cor que é lida como a ausência de algo, incomoda. Talvez porque a cor preta nas artes geralmente tem uma carga negativa, estando atrelada a significados como luto, medo, solidão.



Mas o preto também é uma cor dinâmica e vívida e é possível observar isso na tela “Negra 2” de Jaime Prades (@pradesartist). Ao entrar na sala em que está exposta, algo chama atenção ao fundo. Parece ser um quadro inteiramente preto. Mas ao chegar perto é possível perceber linhas sinuosas que dançam em uma frequência diferente, ainda sim na cor preta.

Essa sobreposição de cores análogas, experimentadas por suprematistas e por expressionistas abstratos como Ad Reinhardt e Mark Rothko, ganha com Prades um tom espiritual, um espiritual que remete ao cosmos. Ondas gravitacionais dançando no “vazio” do universo. Ao observar a obra vemos que esse vazio está bem preenchido. Isso me faz pensar nas dinâmicas do universo que ocorrem em meio a escuridão. Em como acontece tanta coisa lá fora enquanto vivemos nossas vidas aqui na terra. Me faz pensar no primordial e que antes de tudo havia trevas.

Obras no post:
[1]Jaime Prades Negra 2, 2016. Acrílica e carvão sobre tela, 140 x 120 cm. Site do artista.
[2]Kazimir Malevich Quadrado Preto, 1915. Óleo sobre tela.
[3]Édouard Manet A amazona - Retrato de Marie Lefébure, 1870/75. Óleo sobre tela, Masp.
[4]Capela Rothko, Houston, TX. EUA, 1971
[5]Ad Reinhardt Abstract Painting No. 5, 1962, ARS, NY and DACS, London 2020.


Texto: Lucas Carvalho

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